Questões Sobre Espiritualidade - Parte 1
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Por Carlos de Oliveira (Shietnar)
Hoje eu quero reunir algumas questões que foram levantadas no nosso grupo dos Missionários de Shan e responder dentro de um ponto de vista mais universal, dentro da espiritualidade universal. A propos...
O propósito destas reflexões
Hoje eu quero reunir algumas questões que foram levantadas no nosso grupo dos Missionários de Shan e responder dentro de um ponto de vista mais universal, dentro da espiritualidade universal. A proposta não é trazer uma verdade final, mas um ponto de ponderação e consideração que eu considero válido. O importante é que vocês prestem atenção e procurem um melhor entendimento dentro de uma nova perspectiva.
O objetivo sempre foi esse: oferecer uma base de como pensar e descobrir as respostas dentro da própria essência. Isso vale para todos nós. Tenho percebido que muitas pessoas realmente vêm entendendo melhor as questões das crenças limitantes e das nossas programações, e isso já é um passo importante para quem quer olhar para si com mais honestidade.
Eu interior, programação e ego
Quando se fala em eu interior, para mim estamos falando de nós mesmos. A grande questão é que hoje somos frutos de uma programação. Fomos programados conforme as crenças da família, da igreja, da sociedade em que habitamos, da cultura de que fazemos parte, das religiões ao nosso redor, das escolas e também de toda a formação voltada para a cultura material.
Isso é o que existia e, dentro do momento do planeta, é compreensível. Contudo, o nosso eu interior, se assim se pode dizer, é a nossa própria essência. É a nossa essência natural, sem todas essas camadas de programação. Ela não deixa de existir em nenhum momento; continua dentro da gente e corresponde ao que realmente somos, não apenas àquilo que estamos.
Eu costumo lembrar daqueles exemplos conhecidos do menino criado na selva, como Mowgli ou Tarzan. Da maneira como foram criados, foram programados para uma certa forma de sobrevivência, de comportamento e de relação com o ambiente. Da mesma maneira, nós também recebemos uma programação. Só que aquilo que somos de verdade permanece por trás de tudo isso.
Dentro desse tema entra o ego. Eu não vejo o ego como um inimigo. O ego é uma ferramenta essencial, uma ferramenta evolutiva, que nos permite viver como consciência individualizada, perceber diferenças e reconhecer nossa individualidade. Por um lado ele bloqueia, mas por outro permite essa característica de sermos indivíduos.
O nosso objetivo não é eliminar o ego, porque ele faz parte da nossa própria natureza. O objetivo é transcender, fazer as pazes com ele e ter domínio ao lado dele. O ego sempre vai mostrar que você é um indivíduo, mas é preciso aprender a perceber quando ele está se manifestando e balizar isso nas suas ações e reações. Quanto mais você luta contra ele, mais sofrimento você tem. O caminho é entender, se harmonizar e fazer amizade com ele.
Vibração, energia e a questão da pineal
Quando eu falo em vibração dentro da espiritualidade, estou falando de energia e da forma como atuamos por meio do pensamento, das ações e das reações. Quando buscamos maior entendimento da espiritualidade, do conhecimento e da integração da nossa essência com o todo, e quando agimos em coerência com princípios universalmente éticos, elevamos nossa vibração. Por outro lado, quando atuamos na densidade, no rancor, na raiva e no excesso de apego à matéria, entramos numa condição mais densa.
Sobre hertz e frequência, eu preciso separar bem as coisas. Frequência é uma medição em relação ao tempo. Existe muita confusão quando se tenta tornar tudo excessivamente científico para criar provas da espiritualidade. Muita gente tem cometido enganos ao usar a física quântica para tentar comprovar a espiritualidade, quando isso ainda não aconteceu.
A física quântica pode servir como ferramenta de consideração para quem já está envolvido com a espiritualidade, mas ela ainda não provou essas questões. Da mesma forma, eu considero prematuro colocar números exatos para emoções ou estados espirituais, como se alegria tivesse um valor fixo e tristeza outro. Talvez a neurociência meça ondas cerebrais, mas isso não é a mesma coisa que medir nossas vibrações energéticas.
Quanto à glândula pineal, ela sempre existiu no nosso corpo físico e faz parte do funcionamento do nosso organismo. Ela tem relação com essa sensibilidade de captação e também com a melatonina e com processos ligados ao sono e ao despertar, sendo suscetível a ondas eletromagnéticas. Sim, ela tem relação com a espiritualidade por essa capacidade de captação.
Mesmo assim, para o trabalhador espiritual, eu diria que o estudo sobre ela acaba se tornando secundário. O essencial está muito mais na nossa conduta, nas nossas ações, nas nossas reações e no nosso estado de consciência. Às vezes damos ênfase demais a assuntos que estão em moda, quando uma meditação bem feita já favorece esse funcionamento sem precisar transformar isso no centro da caminhada. Temos pouco tempo na vida, e muitas vezes deixamos de transformar nosso cotidiano porque estamos estudando a coisa errada da forma errada.
Servir ao próximo e cuidar da própria condição
Sobre servir ao próximo, eu sempre vi isso quase como uma obrigação pessoal, uma meta pessoal. Nunca questionei se eu deveria servir ou não. Para mim, servir é algo inerente à própria existência. Se estamos em uma experiência evolutiva e somos expressão da própria fonte, quando olho para o outro estou olhando para mim mesmo.
Por isso, ver alguém em aflição ou precisando de ajuda me toca como uma obrigação de cuidar de mim naquela expressão que está ali diante de mim. Não é apenas uma utilidade eventual. Para mim, servir é uma regra, assim como devemos cuidar de nós mesmos.
Mas há um ponto importante: para ajudar alguém, precisamos estar minimamente bem. Isso não significa esperar a perfeição para servir. Significa reconhecer que, se estou em declínio emocional, não serei a melhor pessoa para socorrer alguém naquela mesma área; se estou em total desorganização financeira, provavelmente também não serei a melhor referência para ajudar outro nessa condição.
Isso vale também para o auxílio energético. Se eu sou despreparado, não cuido das minhas energias, não entendo sobre elas e não sei manipulá-las, como vou ajudar energeticamente alguém? Existem ainda aspectos parapsíquicos e mediúnicos sobre os quais muitas vezes a pessoa não tem domínio, e acaba absorvendo a energia do outro em um abraço, num convívio familiar, numa relação íntima ou mesmo num simples contato cotidiano.
Quem vive esse tipo de situação precisa se auto reconhecer e buscar entendimento sobre o controle das próprias energias. Isso é importantíssimo para todos, mas principalmente para quem tem essa captação energética mais forte. É preciso aprender a lidar com isso, porque esse atributo exige responsabilidade e domínio.
Projeção astral, contatos e proteção energética
A projeção astral é o ato de sair do corpo físico de maneira lúcida e consciente, projetando a consciência e o corpo astral para fora do corpo físico. Nós fazemos isso diariamente, porque é uma forma de o corpo astral se liberar do físico e captar energia. Muitas vezes isso ocorre de modo inconsciente, e a pessoa percebe como sonho ou por meio de imagens e sensações que não compreende bem.
Existem muitas nuances nesse assunto, muitos detalhes. Mas eu penso que essa vivência é uma das maneiras mais diretas de um espiritualista assumir de fato a espiritualidade para a própria vida. Buscar lucidez durante a noite, ter a própria experiência espiritual, trazer informações, interagir com o plano espiritual, com os amparadores e com a sociedade extrafísica e física, aprendendo e ensinando, é algo muito profundo.
Para mim, o ápice da vida de um espiritualista é justamente essa vivência consciente. Porque é aí que a pessoa passa a buscar acesso direto à informação, em vez de apenas ouvir o que os outros dizem. Se você não buscar suas próprias experiências, muita coisa sempre vai ficar no campo da dúvida.
Essa questão se conecta diretamente com a proteção energética. Se não estamos preparados e conscientes de que vivemos em um mundo de integração energética, ficamos suscetíveis às variações dos ambientes e das pessoas. Um ambiente espiritualizado tem uma qualidade energética; um ambiente de conflito, briga, competição ou densidade tem outra. Se você não tem domínio energético, fica exposto.
Nosso objetivo é entender essas energias, captá-las, interpretá-las e poder manipulá-las, pelo menos aquelas que saem de dentro para fora de nós. O ponto central da proteção energética é o auto domínio. Sem isso, a pessoa vai sendo carregada pelas influências do meio sem perceber o que está acontecendo.
Evolução planetária, falso despertar e planejamento de vida
Quando se fala em evolução planetária, muita gente imagina que tudo só vai acontecer quando todos alcançarem certo nível de autoconsciência. Eu não vejo dessa forma. Existe um plano para o planeta, mas não um plano esperando que as pessoas atinjam determinado grau para então ele acontecer. Estamos vivendo um momento de transição, e várias coisas vão acontecer na vida de muita gente.
Agora, lamentavelmente, essa chamada massa crítica ainda está longe. Basta observar o cotidiano, andar por uma cidade grande, assistir ao noticiário ou ver como a maioria vive. O grupo que busca espiritualidade ainda é muito pequeno diante do conjunto da humanidade. Então falta muito para haver um despertar mais amplo.
Também existe muita gente que acha que despertou, mas trocou crenças limitantes antigas por novas crenças limitantes. A pessoa aceita que existe algo além da vida física, aceita a espiritualidade e até um processo evolutivo universal, mas continua presa a dependências externas, esperando salvação de fora, buscando respostas em mitos e interferências em vez de aprofundar o contato consigo mesma. Isso não é maturidade espiritual.
O despertar real, para mim, se manifesta no cotidiano, nas ações, nas reações e nas interações. É quando o amor fraterno se expande e quando a pessoa começa a reconhecer essa essência e a expressá-la nas próprias atitudes. Esse despertar respeita processos, entende que cada um está em seu tempo e não vive de fantasia ou julgamento.
Por isso a minha recomendação é simples: parem de ouvir tanto o externo. O externo está muito ruidoso e cheio de interferências. Voltem-se para dentro, usem a meditação, o relaxamento, o silêncio e busquem um contato interior. Melhorando suas vibrações por meio dos sentimentos e das intenções nobres, vocês vão perceber uma informação mais coerente surgindo.
Sobre o planejamento de vida, eu não vejo a encarnação como um roteiro totalmente fechado em que tudo já foi decidido por outros. Existe projeto, existe estrutura, existem condições preparadas para nos colocar diante de situações importantes, inclusive ligadas a dificuldades de outras experiências. Mas isso não significa que alguém esteja controlando cada passo da nossa vida ou determinando mecanicamente quem vai sofrer, quem vai ser rico ou qual destino exato cada um terá.
Nós estamos numa condição em que criamos a nossa realidade. Há contextos, aprendizados e processos, mas não uma prisão total do caminho. Por isso, mais do que procurar explicações prontas, o essencial é assumir responsabilidade pelo próprio estado de consciência, pelas escolhas e pela forma como cada um se manifesta na experiência que está vivendo.
Fonte de referência: Video — Wikipédia
Perguntas Frequentes
O que significa olhar para a espiritualidade de forma universal?
Significa buscar entendimentos que sejam úteis para pessoas de diferentes crenças e caminhos. Em vez de focar em uma visão fechada, a ideia é encontrar princípios mais amplos, como consciência, respeito e evolução pessoal.
Como posso perceber a diferença entre ego e eu interior?
O ego costuma aparecer quando há medo, comparação ou necessidade de aprovação. Já o eu interior tende a trazer mais calma, clareza e uma sensação de verdade simples sobre o que fazer.
Energia espiritual e vibração são a mesma coisa?
Na prática, elas são usadas de forma parecida para falar de estado interior e qualidade do que sentimos e emitimos. Quando a pessoa cuida dos pensamentos, das emoções e das ações, costuma se sentir mais equilibrada e leve.
Como me proteger ao fazer projeção astral ou lidar com contatos espirituais?
O mais importante é manter equilíbrio emocional, discernimento e intenção clara antes de qualquer experiência. Também ajuda ter hábitos saudáveis, pedir amparo com respeito e não forçar vivências que tragam medo ou confusão.