O que é Espiritualidade Universal?
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Por Carlos de Oliveira (Shietnar)
Quando eu falo em espiritualidade universal, estou falando de algo inerente à própria evolução da humanidade. Desde os primeiros momentos de nossa existência, os seres humanos, em todas as culturas e ...
O que entendo por espiritualidade universal
Quando eu falo em espiritualidade universal, estou falando de algo inerente à própria evolução da humanidade. Desde os primeiros momentos de nossa existência, os seres humanos, em todas as culturas e em algum grau, aderiram à espiritualidade e a buscaram. Isso faz parte da experiência humana. Não é algo restrito a um povo, a uma época ou a uma tradição específica.
Também é importante distinguir espiritualidade de espiritismo. O espiritismo é uma coisa, espiritualidade é outra. Todas as religiões têm espiritualidade, porque todas lidam, de alguma forma, com aquilo que não é físico. Quando hoje usamos a palavra espiritualidade, ela pode nos dar a conotação de espírito, mas o ponto central é que o ser humano sempre procurou entrar em sintonia com algo exterior à sua própria experiência imediata.
Os nativos, várias religiões, várias tribos e muitos sistemas de crença, cada um dentro da sua forma, acabam se sintonizando com uma força superior extracorpórea. É isso que dá a conotação do movimento espiritual. Quando eu chamo isso de espiritualidade universal, eu amplio esse entendimento para um nível mais abrangente. A ideia permanece próxima do que já se entende por espiritualidade, mas colocada em uma dimensão universal.
O papel do espiritismo e o seu momento histórico
Desde a época de 1800, com a qualificação de Allan Kardec, a parte espiritual ligada ao kardecismo foi muito direcionada aos planos de evolução dentro do planeta Terra, à mediunidade e aos contatos realizados naquele período. Os espíritos que entraram em contato com Kardec falaram muito das coisas humanas. Falaram do que era um estágio necessário para aquele momento.
Eu acredito que devemos muito ao espiritismo, porque ele foi um estágio necessário para retirar o pragmatismo religioso católico daquela época. Naquele período, ainda estava muito recente o término da Inquisição. Pensar diferente de um católico era ser visto como o diabo. Hoje, ainda bem, tudo isso parou, e tivemos condições de evoluir.
Nós também tivemos condições de ver a própria igreja evoluir. Com isso, foi possível trazer novos moldes para aquilo que entendemos da parte espiritual kardecista, por exemplo. Isso não vale apenas para o kardecismo, mas ele foi um marco importante dentro desse movimento de ampliação do pensamento espiritual.
A tolerância religiosa e o erro da disputa sobre quem está certo
O Brasil, por exemplo, é um país muito espiritualizado. Aqui nós temos liberdade de expressão religiosa, e isso nos ajuda bastante. Se uma pessoa é evangélica, não há problema. Se é católica, não há problema. Se é espírita, não há problema. Se pertence a outro sistema de crença, também não deveria haver problema.
Eu vejo o Brasil como um lugar ainda bem tolerante nessas questões. A grande dificuldade é que continua aquela velha briga sobre quem está certo e quem está errado. Na verdade, todos estão certos, porque cada um segue o seu próprio caminho. Cada um está no estágio evolutivo em que deve estar.
Não há certo ou errado para esse tipo de conceitualização. O problema começa quando se tenta transformar a própria visão em medida absoluta para todas as outras. A espiritualidade universal vem justamente abrir essa percepção, para que a consciência se expanda sem precisar entrar em disputa com os caminhos espirituais já existentes.
Abertura de consciência e os limites do dogma
A espiritualidade universal traz um pouco mais de abertura de consciência. Ela conta com a expansão da consciência de pessoas que, em outros tempos, viam qualquer pensamento diferente do kardecismo como algo revolucionário. Aqueles antigos que iniciaram o kardecismo foram revolucionários em seu tempo. Eles romperam barreiras importantes.
Mas os anos passaram e, como acontece com frequência entre os seres humanos, muitos transformaram aqueles conceitos em dogmas, como se fossem uma religião dura. Lamentavelmente, tudo aquilo que está além do que foi escrito nos livros de Kardec acabou ficando limitado para alguns. Há pessoas que acreditam que o que sai dali é muito difícil de ser aceito.
A espiritualidade universal vem justamente desse lado: mostrar que a vida é além da vida. Nós estamos na fisicalidade em nível de provas, expiação e experiência, tal como o kardecista visualiza. Nesse ponto, não há tanta diferença. A diferença começa quando ampliamos o campo da experiência e entendemos que a existência não se restringe apenas aos processos ligados à Terra.
O que continua igual e o que se amplia
No espiritismo tradicional, nós desencarnamos, vamos para o plano espiritual, somos socorridos, vamos para hospitais ou clínicas espirituais e, após isso, nos recuperamos. Depois seguimos para um plano astral superior, onde tomamos consciência dos erros cometidos, ficamos emocionalmente abalados, buscamos reconciliação e voltamos para a encarnação. Esse ciclo se repete sucessivamente até a morte.
Dentro da espiritualidade universal, isso não muda tanto. A grande diferença é que começamos a lidar com a possibilidade e com a certeza de que podemos viver nossas experiências em outros orbes, em outros planetas, dentro do que eu chamo de projetos planetários. Quando isso é compreendido, as coisas ficam muito mais tranquilas, muito mais simples e melhores em aprendizado.
Passamos a entender que, dentro da nossa evolução, chegamos a um ponto em que pode deixar de ser necessário reencarnar aqui. Há um filtro dentro do planeta Terra, pela própria condição em que o planeta vivencia. E existe a possibilidade de mudar de escola, seja antes de passar de ano, seja durante o próprio processo do ano letivo.
Extraterrestres, reencarnação e a continuidade do aprendizado
Dentro dessa conceitualização mais primária, todos os seres que vivem neste planeta são seres extraterrestres. Para nós, isso é um fato muito tranquilo e consumado. Se não somos daqui, então somos de algum outro lugar. Somos de algum ponto da galáxia, do universo ou do multiverso.
Nós passamos de experiências de lugar em lugar até um dia retornarmos ao que eu chamo de casa cósmica, à nossa família cósmica. Esse é um entendimento primário da espiritualidade universal: perceber que atravessamos todos os processos espirituais na matéria. E, ao longo disso, evoluímos cada vez mais, ou estacionamos, dentro de uma raiz universal educada por diversos planetas, cada qual com uma experiência diferente.
A partir daí, torna-se possível compreender passo a passo o que é a reencarnação, como ela funciona, o que encontramos do outro lado, o que é o plano astral e como vivenciamos tudo isso. Também começamos a perceber o que trazemos de fora e o que podemos utilizar agora. Gratidão, e que possamos seguir juntos nesse entendimento, um processo de cada vez. Sejamos Luz.
Fonte de referência: Video — Wikipédia
Perguntas Frequentes
O que significa espiritualidade universal?
Espiritualidade universal é a ideia de que a busca por sentido, conexão e evolução faz parte da experiência humana em qualquer cultura. Ela não depende de uma religião específica, mas de algo mais amplo e comum a todas as pessoas.
Espiritualidade universal é a mesma coisa que religião?
Não. A religião costuma ter crenças, práticas e tradições próprias, enquanto a espiritualidade universal fala de princípios mais amplos, como ética, consciência e compaixão. Uma pessoa pode ter religião e, ao mesmo tempo, viver essa dimensão universal.
Qual é o papel do espiritismo nesse assunto?
O espiritismo é apresentado como uma referência importante em certas reflexões sobre espiritualidade, especialmente por trazer ideias como evolução moral e reencarnação. Mesmo assim, o tema vai além de uma doutrina específica e procura dialogar com diferentes visões.
Por que esse tema fala tanto de tolerância religiosa?
Porque a espiritualidade universal propõe que ninguém tem o monopólio da verdade. Em vez de disputar quem está certo, a ideia é ampliar a consciência e respeitar caminhos diferentes de busca espiritual.