Consciência, Mente e Pensamentos na Evolução
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Por Carlos de Oliveira (Shietnar)
Hoje eu completo meu 47º ciclo solar completo, e datas assim sempre me trazem reflexão. A humanidade costuma usar esse momento para festejar, mas ele também serve para olhar para os últimos tempos e p...
Presença, reflexão e o ponto de partida
Hoje eu completo meu 47º ciclo solar completo, e datas assim sempre me trazem reflexão. A humanidade costuma usar esse momento para festejar, mas ele também serve para olhar para os últimos tempos e para aquilo que pode vir pela frente. É uma oportunidade de observar como temos vivido e de perceber se há possibilidade de mudança para melhor.
Eu acredito que, quando vivemos ansiosos com o que vai acontecer amanhã, deixamos de viver o momento. Deixamos de viver o presente, e o melhor presente que existe nas nossas vidas é a própria presença no presente. Por isso, vale a pena aproveitar o máximo possível aquilo que está diante de nós agora.
Partindo disso, quero tratar de mente, consciência e pensamento. Esse tema exige observação e prática, especialmente para aqueles que já meditaram e conseguiram alcançar algum sucesso no objetivo da meditação. E, quando eu falo disso, não me refiro à meditação guiada, mas à meditação contemplativa ou ao estado meditativo em que o objetivo não é esvaziar a mente, e sim entrar no modo de observação da própria mente.
O pensamento e as programações que carregamos
Antes de falar do conceito, eu preciso identificar o que é o pensamento. O pensamento é inerente a todo ser vivo e é dotado de raciocínios lógicos ou ilógicos, reais ou irreais. Em geral, ele é baseado em programações.
Nós nascemos, crescemos, e nossos pais vão nos educando. Isso significa que vão criando programações no nosso inconsciente. Depois percebemos que a sociedade tem hábitos, usos, costumes e outras nuances que vamos absorvendo para atuar de modo igual ou parecido, para sermos aceitos dentro dela.
Posteriormente vêm as influências religiosas, majoritariamente herdadas dos pais. Seguimos uma religião até que, em algum momento, nosso senso crítico nos permita conhecer outras ou até nos afastar delas. Então, há todo um sistema de crenças que vai sendo colocado na nossa mente e no nosso subconsciente.
Isso mostra o quanto a nossa mente é programável. Mesmo quando alguém já não acredita mais em determinados símbolos ou ideias, muitas vezes ainda existe um condicionamento interno muito forte. Essa é uma prova de que carregamos crenças instaladas de forma profunda, somadas depois a programações políticas, sociais e às crenças que nós mesmos criamos com base em como agimos.
Tudo isso se soma à personalidade e forma um conjunto de programações. É por isso que, hoje, nosso pensamento flui em conformidade com aquilo que vivemos. E quando queremos melhorar, evoluir e transformar nossas características de vida, começam os conflitos: o que é certo, o que é errado, por que algo não dá certo, por que está tudo errado. Esse conflito acontece no âmbito do pensamento e da mente.
Mente, cérebro e consciência
Quando se fala que, para meditar, é necessário parar de pensar, isso já cria um problema. Eu acho quase impossível parar de pensar. O que se consegue é se afastar dos próprios pensamentos, não interromper completamente o pensar.
A mente é o lugar onde se armazenam informações e memórias, e ela tem uma interface chamada cérebro. Para quem não crê, é fácil chamar tudo de cérebro, mas o cérebro é essa interface que diferencia encarnados e desencarnados, o físico e o extrafísico. É essa interface que traz para cá algo que vai além do estado de ser comum.
A consciência é algo superior. Ela simplesmente existe, ela é, e é una com o todo. Mas precisa de uma interface que possa nos individualizar. Pensamentos, emoções e sentimentos podem transpassar pela mente, e o cérebro funciona como esse meio de comunicação entre uma mente superior, portadora da consciência, e uma mente inferior, responsável pelo pensar neste plano.
Essa interface cerebral também nos limita muito. Ela nos restringe no acesso a conhecimentos superiores, às questões superiores da vida e às realidades extrafísicas, porque não consegue processar tamanho volume de informação. Quem já teve uma projeção astral consciente e lúcida sabe que, fora dessa interface, a consciência fica muito mais expandida do que no estado de vigília.
Mesmo assim, ainda existem programações e emoções interferindo. Por isso, nem ali se consegue desfrutar integralmente da realidade espiritual da forma mais plena. Ainda assim, a experiência mostra o quanto essa expansão é grande e o quanto a consciência pode perceber muito além do que percebemos quando estamos limitados à vigília comum.
O que a meditação realmente busca
O objetivo da meditação é colocar-se num estágio em que se consiga separar, num primeiro momento, a mente do pensamento. Quando fechamos os olhos, os pensamentos vêm à tona. Quanto mais se tenta lutar contra eles, pior fica. Lutar contra o pensamento é uma das piores maneiras de tentar desenvolver a meditação.
O caminho é tornar-se observador. Permitir que o fluxo aconteça sem dar atenção, ver as imagens, perceber o movimento interno, mas sem se conectar a isso. O grande segredo é não se envolver com os pensamentos que vão e vêm, e sim aceitá-los e deixá-los passar.
Quando isso acontece, chegamos a um estágio muito diferenciado. Ao conseguir dissociar-se dos próprios pensamentos, a pessoa entra numa espécie de torpor e percebe algo muito forte: eu não sou meus pensamentos. E essa percepção pode ser assustadora, porque grande parte das ações, reações e decisões da vida foi baseada justamente naquilo que se pensava.
Mas, ao se dissociar disso, fica claro que há algo além. Surge mais tranquilidade, e percebe-se que os pensamentos não definem quem nós somos. Depois disso, existe uma segunda etapa ainda mais elevada: a dissociação da consciência em relação à mente. Nesse patamar, a compreensão do todo fica muito mais clara, e até as decisões se tornam diferentes, porque não há mais aquela rigidez de erro e acerto como costumávamos interpretar.
Decisões mais claras e prática constante
O que nós podemos aprender com isso para dar mais um passo em nossa evolução? Podemos usar esse entendimento para viver melhor, de maneira mais conectada ao sutil, com decisões mais claras. Não se trata de agir com base apenas nos pensamentos, mas de aprender a isolá-los para que as escolhas venham com mais lucidez.
Eu não estou dizendo que isso é fácil, nem simples, nem algo que se faça de imediato. O que vale a pena compreender é que nossa consciência não é nossa mente, e nossa mente não é nosso pensamento. Nós somos a consciência; não somos a mente nem o pensamento.
Se trabalharmos para observar os pensamentos sem nos envolver com eles, através da meditação, isso vai se tornando uma experiência direta. Não adianta receita pronta, porque isso não é padrão e não acontece da mesma forma para todo mundo. É uma possibilidade que cada um pode usar no momento certo, da melhor maneira possível.
Essa prática exige insistência, treinamento diário e esforço. Eu estou com 47 anos, e são mais de 30 anos tentando, trabalhando e meditando. Não é fácil alcançar esse estado, e mesmo quando se alcança, isso depende de muitos fatores externos. Por isso, criar o hábito é fundamental. Se o cérebro é programável, então também podemos usar isso a nosso favor, estabelecendo uma prática regular até que ele sinta falta quando ela não acontece.
Não precisa ser perfeito, e não há prazo. O importante é se dedicar e conseguir olhar para a própria vida de um ponto mais externo, sem ficar completamente colado à interpretação mental do que ela é. Essa primeira desconexão já aumenta a capacidade de tomar decisões mais corretas nas questões humanas do cotidiano, nas nossas ações, reações e na maneira como conduzimos a vida.
Consciência, ego e o caminho da evolução
Depois desse primeiro estágio, vem outro entendimento importante: a mente transita entre o físico e o extrafísico, e ela é a portadora dos pensamentos. É preciso aceitá-la como ela é, sem lutar contra a mente. Ela está muito ligada ao ego, mas o ego não é inimigo do ser humano.
O ego é uma ferramenta evolutiva. É onde temos a régua da individualidade, aquilo que faz com que estejamos conscientes de nós mesmos além do divino. Ele não pode ser eliminado no nosso estágio atual de encarnação; o que pode acontecer é uma harmonização. Rejeitar o ego e tentar suprimi-lo à força pode levar à perda de lucidez, porque se rejeita uma parte estrutural da própria personalidade.
Nosso objetivo final é compreender o que é a consciência. Nós somos a consciência. A consciência pura, livre de mente e livre de pensamentos, é pura luz, é o próprio Deus manifesto individualmente em sua expressão mais alta. Quando estiver livre de mente e pensamento, ela simplesmente é. Ela cria, participa e cuida em níveis muito além daquilo que hoje nossa mente limitada consegue compreender.
Mas isso não deve ser tratado como ansiedade por ascensão. Ascensionar não é um objetivo a ser perseguido por si só. O correto é fazer o que se faz com verdade, melhorar porque se ama melhorar, ajudar porque se ama ajudar, viver experiências porque se ama viver experiências. Como consequência, aquilo que tiver de vir virá no tempo devido, seja em muitas encarnações, seja antes.
Por isso se fala em despertar da consciência e expansão da consciência, embora eu veja isso mais como uma expansão da mente, porque a consciência já está ali. O que precisamos é depurar as resistências, limpar aquilo que impede maior contato com ela. Essa barreira natural vai sendo trabalhada pela insistência, pela experiência e pela prática, até que a conexão com essa consciência superior se torne mais clara.
Quando, em meditação, os sentidos se desligam e os pensamentos cessam, é exatamente nesse momento que ocorre essa dissociação. É como um estado de dormir sem pensamento, no qual às vezes sons, cheiros e memórias podem surgir com força, até que tudo se desconecta e se torna um grande nada. Mas é um nada pleno, o mais completo que pode existir.
Eu sei que essa questão de consciência, mente e pensamento pode parecer confusa. Mais do que explicar, o que eu quero é estimular cada um a fazer seus próprios testes e ter sua própria experiência. É muito difícil expressar em palavras esse tipo de percepção, mas a parte de se dissociar dos próprios pensamentos já é um grande material de tarefa para quem quiser começar.
Fonte de referência: Video — Wikipédia
Perguntas Frequentes
O que este artigo quer dizer com consciência?
O artigo trata a consciência como a capacidade de perceber o que pensamos, sentimos e fazemos no dia a dia. Ele mostra que essa percepção pode crescer quando paramos para observar a nós mesmos com mais atenção.
Qual é a diferença entre mente, cérebro e pensamentos?
O cérebro é o órgão físico, enquanto a mente é o conjunto de processos que usamos para interpretar a realidade. Já os pensamentos são conteúdos que surgem nessa dinâmica e influenciam nossas decisões e emoções.
Como a meditação ajuda nesse processo?
A meditação ajuda a desacelerar e observar os pensamentos sem se prender a eles. Com a prática, fica mais fácil perceber padrões mentais e agir com mais clareza.
Por que refletir sobre a própria vida é importante para evoluir?
Refletir ajuda a entender o que estamos repetindo no automático e o que realmente faz sentido para nós. Esse olhar mais atento facilita mudanças mais conscientes e escolhas melhores no dia a dia.