Não seja um Consumidor Espiritual

Categoria: Despertar

Por Carlos de Oliveira (Shietnar)

Não seja um Consumidor Espiritual

Multitasking ou multitarefa é a arte (ou a maldição) de fazer muita coisa ao mesmo tempo....

Multitarefa e qualidade

Uma pessoa fazendo várias गतिविधություններ ao mesmo tempo: estudando, praticando acro yoga, exercícios energéticos e ouvindo música, em um ambiente realista e sereno.
Uma pessoa fazendo várias गतिविधություններ ao mesmo tempo: estudando, praticando acro yoga, exercícios energéticos e ouvindo música, em um ambiente realista e sereno.

Multitasking ou multitarefa é a arte (ou a maldição) de fazer muita coisa ao mesmo tempo.

Ah, você vai me dizer: "mas eu realmente consigo ser multitarefa e consigo estudar o Bhagavad Gita, ler o Livro dos Espíritos, fazendo acro yoga, treinando exercícios energéticos, lendo um post do Projeto Shan, escutando Iron Maden, e tudo isso ao mesmo tempo".

Sim, eu sei que muita gente se reconhece exatamente nesse tipo de rotina. A pessoa sente que está produzindo muito, sente que está em contato com vários conteúdos ao mesmo tempo, sente até que está aproveitando melhor o tempo. E, de fato, do ponto de vista da execução bruta, ela pode até estar fazendo muitas coisas juntas. O ponto não é negar que várias tarefas possam ser feitas ao mesmo tempo. O ponto é observar a qualidade real daquilo que foi feito.

Ok, você pode até executar muitas tarefas, com resultados medianos, executando tudo ao mesmo tempo.

Mas, é inegável que o resultado final terá uma qualidade menor.

Quando eu digo isso, não estou falando apenas de quantidade de tarefas concluídas, mas de profundidade de contato com cada uma delas. Estudar o Bhagavad Gita pede presença. Ler o Livro dos Espíritos pede atenção. Fazer acro yoga pede corpo presente. Treinar exercícios energéticos pede percepção. Ler um post do Projeto Shan pede assimilação. Escutar Iron Maden, por sua vez, também ocupa espaço dentro da atenção. Quando tudo isso é empilhado ao mesmo tempo, a tendência é que nenhuma dessas experiências seja absorvida com sua potência máxima.

O problema da multitarefa é justamente esse: ela cria uma ilusão de rendimento amplo, mas entrega uma absorção menor. Você até passa por vários conteúdos, mas passa sem mergulhar. Você até toca em vários estudos, mas não necessariamente integra nenhum deles com qualidade superior. E quando estamos falando de estudos evolutivos e espirituais, a qualidade da absorção vale muito mais do que a quantidade de estímulos acumulados.

É diferente de fazer uma coisa de cada vez e permitir que aquele estudo, aquela prática ou aquela experiência realmente marque a consciência. Quando a atenção fica repartida, o resultado também fica repartido. E um resultado repartido, por melhor que pareça na superfície, tende a ser mediano quando comparado a uma dedicação focada, coerente e inteira.

Riscos da distração

Um motorista em um carro moderno olhando para o celular enquanto dirige, representando o risco da distração ao volante.
Um motorista em um carro moderno olhando para o celular enquanto dirige, representando o risco da distração ao volante.

Vejamos.... Você sabia que, um motorista usando o celular tem quatro vezes mais chances de provocar um acidente? Essa probabilidade é a mesma para uma pessoa que bebeu e tem 0,8 de álcool no sangue. Até aparelhos que deixam as mãos livres, como o bluetooth, não eliminam os riscos.

Esse dado é muito forte porque ele mostra de maneira objetiva aquilo que muita gente insiste em minimizar: distração não é detalhe. Distração muda resultado. Distração compromete discernimento. Distração reduz a qualidade da resposta diante daquilo que está acontecendo no momento presente. E no trânsito isso fica muito evidente, porque as consequências aparecem de maneira concreta, imediata e às vezes irreversível.

Mesmo quando a pessoa acredita que está com “as mãos livres”, isso não significa que a atenção esteja livre. E é justamente aí que está o ponto central. Não basta apenas estar tecnicamente apto a realizar duas coisas ao mesmo tempo; é preciso considerar o quanto a mente foi desviada daquilo que exigia prioridade total. O risco permanece porque o foco já não está inteiro.

Gastamos milhões equipando os carros com airbags, melhores freios e pneus para que fiquem mais seguros, mas o número de fatalidades no trânsito permanece constante. Um dos maiores motivos, de acordo com pesquisadores da Universidade de Utah, é o aumento da distração com outros equipamentos dentro dos veículos.

Ou seja, nós podemos melhorar ferramentas, criar suportes, instalar recursos, sofisticar estruturas, e ainda assim continuar falhando no essencial: a atenção. Isso é muito significativo. Porque mostra que nem sempre o problema está na falta de recursos, mas no modo como a consciência está distribuída. Se ela está fragmentada, a qualidade da ação cai. E se a qualidade da ação cai, o risco aumenta.

Esse raciocínio é simples, direto e muito aplicável: quanto maior a distração, menor a presença; quanto menor a presença, pior a qualidade daquilo que se faz. No trânsito, isso pode gerar acidentes. Nos estudos, pode gerar superficialidade. Nas práticas, pode gerar dispersão. Em todos os casos, a lógica é a mesma.

Aplicação nos estudos

Uma pessoa estudando diante de vários livros abertos ao mesmo tempo, com uma presença extraterrestre luminosa ao fundo simbolizando orientação serena.
Uma pessoa estudando diante de vários livros abertos ao mesmo tempo, com uma presença extraterrestre luminosa ao fundo simbolizando orientação serena.

Esta mesma lógica se aplica também aos estudos evolutivos e espirituais.

E aqui eu considero importante trazer isso com clareza. Muita gente quer expandir a consciência, quer avançar, quer aprender mais, quer vivenciar mais, quer acelerar processos. Só que, nessa pressa de abraçar tudo ao mesmo tempo, acaba comprometendo justamente aquilo que mais importa: a qualidade do aprendizado e a perfeita aplicação desses ensinamentos em sua vida.

A dica hz. aqui é: você quer realmente expandir sua consciência de forma excepcional e garantida?

Então, se comprometa com poucos estudos ao mesmo tempo, que sejam coerentes entre eles, realizando um de cada vez, mas absorvendo o conhecimento e experiência com altíssima qualidade de aprendizado para uma perfeita aplicação desses ensinamentos em sua vida.

Perceba a importância de cada parte disso. Poucos estudos ao mesmo tempo. Não é abandonar o interesse por vários temas, mas entender que o aprofundamento pede seleção. Que sejam coerentes entre eles. Isso evita conflito desnecessário de linhas, excesso de informação e dispersão da mente. Realizando um de cada vez. Isso protege a presença. Isso protege a assimilação. Isso permite que a experiência seja vivida com inteireza.

E o objetivo não é apenas “saber mais”. O objetivo é absorver o conhecimento e experiência com altíssima qualidade de aprendizado. Existe uma diferença enorme entre ter contato com um ensinamento e realmente absorvê-lo. Quando a absorção acontece, aquilo deixa de ser apenas conteúdo e começa a se traduzir em vida. A aplicação se torna mais natural, mais precisa e mais verdadeira.

Uma perfeita aplicação desses ensinamentos em sua vida não nasce da correria mental, nem da soma desorganizada de práticas e leituras. Ela nasce da coerência, da continuidade e da qualidade com que você recebe aquilo que estuda. Se você lê algo importante, vale mais ler com presença do que atravessar várias páginas enquanto divide a atenção com outras tarefas. Se você faz uma prática, vale mais fazer inteiro do que fazer junto com uma sequência de estímulos paralelos.

Não se trata de fazer menos por limitação, mas de fazer melhor por consciência. E fazer melhor, nesse contexto, é permitir que cada estudo cumpra sua função, que cada prática entregue sua experiência e que cada ensinamento encontre espaço real dentro da sua vida.

E você? Como você faz seus estudos e práticas espirituais?

Compartilhe conosco nos comentários.

Fonte de referência: Despertar — Wikipédia

Perguntas Frequentes

Multitarefa prejudica mesmo a qualidade dos estudos?

Sim, porque dividir a atenção faz com que você entenda menos e retenha menos do que leu. Em vez de ganhar tempo, muitas vezes você precisa reler tudo depois.

Como saber se estou me tornando um consumidor espiritual?

Isso acontece quando você acumula leituras, práticas e conteúdos sem realmente aprofundar nenhum deles. Se você consome muito, mas muda pouco na vida prática, esse é um sinal de alerta.

É melhor estudar uma coisa por vez?

Na maioria dos casos, sim. Focar em um conteúdo por vez ajuda a compreender melhor e a aplicar com mais consciência o que foi aprendido.

O que posso fazer para estudar com mais presença?

Escolha um momento e um tema só, sem abrir várias abas ou misturar atividades. Faça pausas curtas, anote o que realmente importou e avance com mais intenção do que quantidade.