Intuições da Consciência

Categoria: Despertar

Por Carlos de Oliveira (Shietnar)

Intuições da Consciência

Luz não é alegria! Luz não é a tua projeção mental de bem!...

Luz e sombra

Uma pessoa em um ambiente sereno observa um feixe de luz dourada e uma sombra violeta, mostrados como fenômenos distintos, sem associação automática com alegria ou tristeza.
Uma pessoa em um ambiente sereno observa um feixe de luz dourada e uma sombra violeta, mostrados como fenômenos distintos, sem associação automática com alegria ou tristeza.

Luz não é alegria! Luz não é a tua projeção mental de bem!

Sombra não é tristeza! Sombra não é a tua projeção mental de mal!

Perceba as associações da mente e a ilusão delas.

Estes termos não necessariamente são dependentes.

Eu falo disso porque a mente condicionada tende a juntar ideias que não são a mesma coisa. Ela vê alegria e logo chama de luz. Vê tristeza e logo chama de sombra. Vê aquilo que aprova e chama de bem. Vê aquilo que rejeita e chama de mal. Mas essas associações, por mais automáticas que pareçam, são apenas projeções mentais. São leituras, não a realidade em si.

Quando essas confusões não são percebidas, a pessoa começa a tentar sustentar uma imagem luminosa baseada em estados agradáveis, e passa a combater ou esconder tudo o que considera escuro só porque é desconfortável. A ilusão está justamente aí: imaginar que luz e sombra são rótulos emocionais, quando o ponto é muito mais profundo do que isso.

A tristeza, por exemplo, não define sombra. A alegria, por exemplo, não define luz. Um estado emocional pode surgir e passar, enquanto a luz de que estou falando não se limita ao que a mente classifica como positivo. Da mesma forma, o que chamamos de sombra não é um castigo, nem uma condenação moral. É aquilo que estava oculto, aquilo que ainda não foi visto claramente.

Ser consciente

Uma pessoa em introspecção tranquila, aceitando com sinceridade seu estado emocional, em um ambiente sereno e iluminado.
Uma pessoa em introspecção tranquila, aceitando com sinceridade seu estado emocional, em um ambiente sereno e iluminado.

Ser consciente não significa estar saltitando de alegria o tempo todo, mas ser íntegro e permissivo a qualquer estado que surgir...

Absolutamente sincero consigo mesmo.

Se exibir com "good vibes" e se esconder quando se está "para baixo", é autoengano.

Não que você precise se expressar o tempo todo e/ou camuflar a alegria.

Mas pergunte-se...

Ser íntegro aqui é não se abandonar para sustentar uma aparência. É não fazer da espiritualidade, da consciência ou da própria busca interior um palco onde só se mostra o que é bonito, leve e aceitável. Se há alegria, ela pode estar aí. Se há tristeza, ela também pode estar aí. Se há confusão, ela precisa ser reconhecida como confusão. Se há dor, precisa ser reconhecida como dor.

Permissividade não é dramatização, nem exposição constante. Também não significa transformar cada estado em identidade. Significa honestidade interior. Significa não se esconder de si mesmo. Porque alguém pode não falar nada para ninguém e, ainda assim, ser profundamente sincero consigo. E alguém pode falar o tempo todo sobre o que sente e, ainda assim, continuar encobrindo o essencial.

Quando eu digo que se exibir com "good vibes" e se esconder quando se está "para baixo" é autoengano, é porque há aí uma seleção estratégica do que pode ser visto. Isso não revela consciência, revela medo daquilo que não corresponde a uma imagem idealizada. E ser consciente não é proteger imagem. É permitir ver o que está aí, sem maquiagem interna.

Felicidade e projeção

Uma pessoa em reflexão silenciosa, com uma iluminação que contrasta a felicidade aparente com a sensação de um brilho interior mais autêntico.
Uma pessoa em reflexão silenciosa, com uma iluminação que contrasta a felicidade aparente com a sensação de um brilho interior mais autêntico.

O que está por trás da tua felicidade? Ela é genuína ou é relativa? Vem de sensações passageiras? Conquistas externas? Aprovação alheia?

Estados de positivismo são supervalorizados.

Mas o que está por trás de tantos sorrisos por aí? Dores e incompreensões?

Essas perguntas são fundamentais porque nem toda felicidade tem a mesma raiz. Existe uma felicidade que depende de circunstâncias e, por isso, oscila com elas. Se vem de sensações passageiras, ela muda quando a sensação muda. Se vem de conquistas externas, ela se condiciona ao que foi alcançado e ao medo de perder. Se vem de aprovação alheia, ela se torna refém do olhar do outro.

Não estou negando que essas coisas produzam satisfação ou contentamento. Estou convidando você a observar o que está por trás. Porque uma emoção agradável pode esconder carência, defesa, compensação e até incompreensão de si. A mente costuma chamar isso de plenitude muito cedo, só porque algo momentaneamente deu certo.

Estados de positivismo são supervalorizados justamente porque são facilmente vendáveis como sinal de equilíbrio. Mas um sorriso não revela, por si só, a verdade de alguém. Muitas vezes, por trás de tantos sorrisos, há dores e incompreensões que não puderam ainda ser reconhecidas. E enquanto isso não é visto, a felicidade pode funcionar apenas como cobertura, como distração ou como alívio temporário.

Luz como consciência

Luz é Aquilo que vê tudo! Qualquer estado mental e emocional.

A luz abarca alegrias e tristezas, o bem e o mal.

Ilumina as nossas sombras, que nada mais são do que o nosso passado, o inconsciente, o oculto em nós.

Quando nos tornamos mais perceptivos e sensíveis, começamos a ver a partir da Consciência/Luz, então todas as nossas sombras são integradas, iluminadas. E nem sempre é só felicidade. Até que estas energias obscuras não sejam totalmente reconhecidas e transmutadas, viveremos numa montanha russa emocional.

Resgates do período da infância, sobretudo, são muito expressivos. E não temos escolha do que se manifesta para ser observado e compreendido.

Basta estarmos presentes no agora.

Essa é a diferença essencial: luz não é um estado de ânimo, mas Aquilo que vê. E por ver, inclui. Não escolhe apenas o que agrada. Não aceita só o que confirma uma ideia de evolução. A luz abarca alegrias e tristezas, o bem e o mal, porque a sua natureza é iluminar, não selecionar.

Quando digo que as sombras são o nosso passado, o inconsciente, o oculto em nós, falo daquilo que permaneceu fora da visão clara. Aquilo que nos move, nos afeta, nos condiciona, mas ainda não foi compreendido em profundidade. Por isso, tornar-se mais perceptivo e sensível não significa entrar num estado linear de felicidade. Significa começar a ver mais. E ver mais inclui ver o que antes era evitado.

É nesse ponto que tantas pessoas se confundem. Elas imaginam que consciência só deveria trazer leveza imediata, quando muitas vezes o processo de iluminação das sombras revela conteúdos densos, antigos e muito enraizados. Até que essas energias obscuras sejam totalmente reconhecidas e transmutadas, a montanha russa emocional continua. Não porque a luz falhou, mas justamente porque ela está mostrando o que ainda não foi integrado.

Os resgates do período da infância, sobretudo, são muito expressivos porque ali ficaram marcas, percepções e conteúdos que seguem atuando. E não temos escolha do que se manifesta para ser observado e compreendido. O que emerge, emerge. O movimento não é controlar a aparição do conteúdo, mas estar presente para vê-lo. Basta estarmos presentes no agora. É nessa presença que o oculto encontra espaço para ser iluminado.

Ser não é comportamento

Ser não é um comportamento. O que não significa ser passivo ou sem graça, morto para as pulsações da vida. Aqui já não cabem definições.

A Luz/Consciência é o que É. Você é o que É!

Expandir-se em luz é (se) ver sob perspectivas cada vez mais amplas, de modo a desconstruir o falso. O que você É, enxerga e desconstrói o que você não é. Até restar apenas o que É.

Isso precisa ser compreendido com profundidade: Ser não é uma performance. Não é uma maneira treinada de falar, reagir, sorrir ou se portar. Não é um personagem sereno, nem uma estética de silêncio, nem uma coleção de atitudes que tentam parecer conscientes. Quando eu digo que aqui já não cabem definições, é porque toda tentativa de reduzir o Ser a um comportamento já o distorce.

Ao mesmo tempo, isso não significa ser passivo ou sem graça, morto para as pulsações da vida. O Ser não é indiferença. Não é apagamento. Não é ausência de movimento. O ponto é que a verdade do que você é não pode ser medida por uma encenação externa. A Luz/Consciência é o que É. Você é o que É!

Expandir-se em luz é (se) ver sob perspectivas cada vez mais amplas. E quanto mais ampla a visão, menos força o falso mantém. As ideias equivocadas sobre si, as identificações mentais, as imagens que foram assumidas como verdade começam a perder consistência. O que você É, enxerga e desconstrói o que você não é. Até restar apenas o que É.

Plenitude e liberdade

A Consciência independe de indicadores autoavaliativos, tanto qualitativos, quanto quantitativos.

A plenitude não se caracteriza como "mais feliz" ou "mais silencioso", mas por um fluir entre todos os opostos. Não se apegue às emoções, mas esteja aberto às causas das oscilações emocionais para que, gradativamente, elas se tornem menos turbulentas, isto é, sem o peso da identificação mental.

É assim que nos movemos à serenidade de apenas Ser, que está mais para a liberdade do que para a felicidade.

E é claro que quando reconhecemos o quanto somos livres, a alegria genuína se manifesta. Mas aquela que vem do nada e não deseja nada.

Afinal, você é o Nada, que é Tudo!

Quando a mente tenta medir consciência, ela busca indicadores. Quer saber se está melhor, mais elevado, mais calmo, mais feliz, mais silencioso. Mas a Consciência independe desses indicadores autoavaliativos, tanto qualitativos, quanto quantitativos. Ela não se resume a métricas internas criadas pela própria mente que ainda quer controlar o processo.

Plenitude, então, não é atingir um polo e permanecer nele. Não é virar alguém "mais feliz" ou "mais silencioso" como se isso fosse prova de realização. A plenitude se expressa por um fluir entre todos os opostos. Há espaço. Há movimento. Há abertura. E, nesse contexto, o essencial não é apegar-se às emoções, mas estar aberto às causas das oscilações emocionais.

Quando as causas vão sendo vistas, reconhecidas e compreendidas, as oscilações podem continuar surgindo, mas gradativamente se tornam menos turbulentas. O ponto não é eliminar a experiência emocional, e sim retirar dela o peso da identificação mental. A emoção passa, aparece, ensina, revela. O sofrimento se intensifica quando a mente se agarra, define, dramatiza e transforma cada movimento em identidade.

É assim que nos movemos à serenidade de apenas Ser. E essa serenidade está mais para a liberdade do que para a felicidade. Porque felicidade, quando pensada pela mente, quase sempre vem acompanhada de condição, preferência e manutenção. Liberdade é outra coisa. Liberdade é não depender de um estado específico para reconhecer o que se É.

E é claro que quando reconhecemos o quanto somos livres, a alegria genuína se manifesta. Mas aquela que vem do nada e não deseja nada. Não é a alegria da conquista externa, da aprovação alheia ou da sensação passageira. É uma alegria sem objeto. Afinal, você é o Nada, que é Tudo!

Por amor...

Andreia Bonavigo

Fonte de referência: Despertar — Wikipédia

Perguntas Frequentes

Luz é o mesmo que alegria?

Não. No artigo, luz não aparece como uma emoção, mas como uma forma de consciência mais ampla. A ideia é perceber que alegria e luz não precisam ser colocadas na mesma coisa.

O que significa dizer que a sombra não é tristeza?

Significa que sombra não deve ser vista automaticamente como algo negativo. O texto propõe que a mente costuma associar sombra a tristeza por hábito, mas isso pode ser apenas uma projeção.

Como perceber as projeções da mente no dia a dia?

Uma forma é observar quando você dá um significado automático para algo, sem olhar com atenção. Ao notar essas associações, fica mais fácil separar a experiência real das interpretações da mente.

Qual é a principal mensagem do artigo?

A principal mensagem é que nem tudo é o que a mente condicionada diz que é. O texto convida a ver com mais clareza, sem confundir luz com bem e sombra com mal.