TAO - Um dos Caminhos Para a Desperticidade

Categoria: Despertar

Por Carlos de Oliveira (Shietnar)

TAO - Um dos Caminhos Para a Desperticidade

Tao (em chinês : 道; Wade-Giles : tao ; pinyin : dao ) significa, traduzindo literalmente, o Caminho ....

Tao (em chinês: 道; Wade-Giles: tao; pinyin: dao) significa, traduzindo literalmente, o Caminho.

Dentro do contexto da filosofia tradicional e religião Chinesa, o Tao é o conhecimento intuitivo da "vida" que não pode ser apreendido completamente – tão somente – como um conceito, mas pode ser conhecido, no entanto, através da experiência de vida real, cotidiana.

A ontologia do Tao difere-se da convencional (Ocidental), na medida em que ela se baseia numa prática ativa e holística da ordem natural da Natureza, com o seu despertar universal, em vez de um despertar estático ou atomístico.

O Tao não é apenas um caminho físico e espiritual; é identificado com o absoluto que, por divisão, gerou os opostos/complementares yin e yang, a partir dos quais todas as "dez mil coisas" (ou todas as coisas) que existem no Universo foram criadas.

O Tao é o princípio fundamental do taoísmo filosófico, fundado por Lao Zi.

Um dos muitos caminhos para a desperticidade

Uma pessoa em um cruzamento de caminhos luminosos, representando várias vias espirituais convergindo para uma mesma fonte de luz.
Uma pessoa em um cruzamento de caminhos luminosos, representando várias vias espirituais convergindo para uma mesma fonte de luz.

Repare no título deste texto: o Tao é um dos caminhos, não o único. Aqui na Espiritualidade Universal você não encontrará dogma que aponte uma só estrada. Há muitas veredas rumo à desperticidade, e todas convergem para o mesmo destino: o reencontro da Consciência com a Fonte. O taoísmo é uma dessas veredas, tão válida quanto tantas outras que a humanidade trilhou ao longo dos séculos.

Quando digo que o Tao é um caminho, estou chamando atenção para algo muito simples e, ao mesmo tempo, muito profundo: caminho se percorre. Não adianta admirar a ideia, decorar palavras ou discutir conceitos se a vida concreta continua desconectada daquilo que se afirma buscar. O que importa não é o nome do caminho, mas se você está de fato se movendo para a frente nele. E mover-se para a frente, nesse contexto, não significa correr, competir ou provar algo a alguém. Significa viver de modo mais consciente, mais natural e mais alinhado com aquilo que é verdadeiro em você.

Por isso, a existência de muitos caminhos não diminui o Tao, mas o situa dentro de uma realidade maior: a de que a Consciência pode reencontrar a Fonte por diversas veredas. Cada tradição aponta de algum modo para esse reencontro, e o valor de uma via está menos no rótulo que carrega e mais na autenticidade com que é vivida. Se o Caminho é real, ele transforma a vida real. Se não toca a experiência cotidiana, permanece apenas como discurso.

Fluir com naturalidade em vez de forçar

Uma pessoa em silêncio ao lado de um rio fluindo suavemente em meio à natureza, transmitindo a ideia de fluir com naturalidade em vez de forçar.
Uma pessoa em silêncio ao lado de um rio fluindo suavemente em meio à natureza, transmitindo a ideia de fluir com naturalidade em vez de forçar.

O coração do Tao é justamente a Natureza fluindo em sua ordem própria, sem que ninguém precise empurrá-la. E aqui há um ensinamento precioso para você: gasta-se muita energia tentando se equilibrar, quando o convite verdadeiro é se harmonizar. Quem vive tentando se equilibrar está o tempo todo em cima de uma corda bamba e, uma hora, cai.

Fluir com naturalidade é diferente: é render-se ao presente, parar de controlar o tempo e as pessoas, e confiar que tudo virá no momento certo e adequado. Isso não é passividade; é uma prática ativa e holística da ordem natural da Natureza. Existe uma diferença grande entre agir em sintonia e agir em tensão. Quando se age em tensão, a pessoa quer arrancar da vida respostas antes da hora, quer enquadrar o mundo na própria ansiedade e, sem perceber, cria mais desgaste do que clareza. Quando se age em sintonia, permanece o movimento, mas um movimento menos fragmentado, menos rígido, menos tomado pela necessidade de dominar tudo.

O yin e o yang não brigam entre si — eles se completam. Assim também você aprende a dançar com a vida em vez de lutar contra ela. Essa complementaridade dos opostos mostra que o próprio Universo se manifesta por polaridades que não são inimigas. São expressões que se distinguem, mas que pertencem à mesma origem. O Tao, identificado com o absoluto, gera por divisão esses opostos/complementares, e dessa dinâmica surgem todas as "dez mil coisas". Há, então, uma sabedoria em reconhecer que a multiplicidade não rompe a unidade de origem; ela a expressa.

Quando a pessoa entende isso, passa a observar a própria vida com outra qualidade de atenção. Nem tudo o que parece oposição é conflito. Nem toda diferença pede combate. Há situações em que o aprendizado está justamente em perceber a complementaridade, em vez de insistir numa separação mental que endurece a experiência. Fluir com naturalidade é permitir que a ordem natural ensine, em vez de forçar a realidade a obedecer à impaciência do ego.

O caminho do meio, vivido de dentro para fora

Uma pessoa caminhando em equilíbrio por uma trilha natural, representando o Tao vivido na experiência cotidiana.
Uma pessoa caminhando em equilíbrio por uma trilha natural, representando o Tao vivido na experiência cotidiana.

O Tao não se apreende de cabeça, como um conceito guardado numa prateleira; ele se conhece vivendo, na experiência cotidiana e real. Essa é uma das chaves mais importantes de tudo isso. Há conhecimentos que podem ser organizados em definições, sistemas e classificações. Mas o conhecimento intuitivo da "vida" apontado aqui não cabe por inteiro numa formulação intelectual. O conceito pode apontar; a experiência é que confirma.

Por isso, não acredite em nada apenas porque foi dito — nem mesmo nestas palavras. O verdadeiro despertar não desce pronto de fora: ele floresce de dentro para fora, um passo de cada vez, quando você experimenta por si mesmo. Essa experiência não acontece fora da vida comum, mas dentro dela. É no cotidiano que o Caminho se revela, porque é ali que se vê se existe presença, serenidade, naturalidade e coerência entre aquilo que se compreende e aquilo que se vive.

O caminho do meio é essa serenidade que não pende para os extremos, que não corre nem se arrasta, que caminha no ritmo justo da própria alma. Não pender para os extremos não é viver sem direção; é viver sem exagero. Não correr nem se arrastar é manter o passo possível, o passo verdadeiro, o passo que não violenta a própria natureza. Há um amadurecimento silencioso nisso, porque a pessoa deixa de buscar um despertar estático ou atomístico e começa a perceber o valor de um despertar universal, integrado à ordem natural da Natureza.

Também por isso, o Tao não pode ser reduzido a uma ideia abstrata de caminho físico e espiritual, embora também os contenha. Ele é mais fundamental, porque toca a origem, o absoluto e a própria dinâmica pela qual a existência se manifesta. Conhecê-lo intuitivamente é participar, ainda que de maneira limitada, dessa ordem viva. E participar dessa ordem viva exige menos acumulação de teorias e mais presença real diante da vida real.

Que o Tao lhe sirva de inspiração, mas que o caminho seja sempre o seu, vivido com naturalidade e coragem. Sejamos Luz!

Escute o Áudio Abaixo e Entenda Um Pouco desse Caminho:

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Perguntas Frequentes

O que é o Tao no contexto deste artigo?

O Tao é entendido como o Caminho, uma forma de viver em harmonia com o fluxo natural da vida. No artigo, ele aparece como um caminho de autoconhecimento e equilíbrio.

Como o Tao pode ajudar na desperticidade?

Ele ajuda ao incentivar uma postura mais natural, menos forçada e mais atenta ao que acontece internamente. Isso favorece decisões mais lúcidas e uma vida com menos conflito.

O que significa “fluir com naturalidade” no Tao?

Significa agir sem excesso de controle, respeitando o ritmo das situações e de si mesmo. Em vez de lutar contra tudo, a ideia é aprender a se adaptar com leveza e consciência.

O Tao é uma religião ou uma filosofia?

Ele pode ser visto como ambos, dependendo da tradição e da forma como é estudado. Neste artigo, o foco está mais na sua visão filosófica e prática de vida.