Esperamos ou Desejamos uma Transição Planetária?
Categoria: Despertar
Por Carlos de Oliveira (Shietnar)
Em observação a vários conteúdos disponíveis nas redes sociais e canais de YouTube, acabei percebendo que quase existe uma vibração de anseio pela chegada do, chamado por muitos, o famoso fim dos temp...
Fim dos tempos
Em observação a vários conteúdos disponíveis nas redes sociais e canais de YouTube, acabei percebendo que quase existe uma vibração de anseio pela chegada do, chamado por muitos, o famoso fim dos tempos ou transição planetária.
Isso me chamou atenção porque não se trata apenas de curiosidade sobre um tema espiritual, mas de uma expectativa quase alimentada diariamente por conteúdos, falas e interpretações que parecem manter muitas pessoas em estado de espera. Uma espera que, para alguns, soa como alívio. Para outros, como uma resposta. E para muitos, talvez, como uma saída para aquilo que não conseguiram ainda resolver em si mesmos e em suas vidas.
Será que as pessoas não estão saturadas de problemas pessoais, sociais, familiares, financeiros e outros, esperando uma solução externa aos problemas que eles mesmos não conseguem solucionar?
Quando observo isso, percebo que essa pergunta não é simples. Ela toca diretamente uma tendência humana de desejar que algo maior aconteça e reorganize tudo de uma vez. Como se a chegada de um evento extremo ou decisivo pudesse substituir o esforço da auto-observação, da correção íntima e do amadurecimento consciencial. É compreensível que muitos se sintam cansados. Os desafios pessoais, sociais, familiares e financeiros realmente pesam. Porém, o cansaço não pode se transformar em justificativa para terceirizar a própria transformação.
Vemos verdadeiros atores atuando como gurus da espiritualidade pregando um modismo dos fins dos tempos e da tão esperada transição.
E isso se torna ainda mais delicado quando o assunto passa a ser tratado como modismo. Quando a transição é transformada em espetáculo, perde-se a seriedade do que ela representa. Em vez de inspirar responsabilidade interior, passa a alimentar ansiedade, fantasia e até uma espécie de fascínio pelo desfecho dos acontecimentos. Muitos passam a consumir esse tipo de conteúdo não para crescer em consciência, mas para confirmar expectativas, medos ou desejos de que algo externo venha finalmente romper a realidade atual.
O problema é que, quando se cria uma cultura de espera pelo fim dos tempos, corre-se o risco de negligenciar aquilo que precisa ser feito agora. E o agora é o campo real das escolhas, das ações, das reações e da manifestação da consciência. Não é observando previsões, repetindo discursos ou acompanhando narrativas dramáticas que o ser se prepara. A preparação não está no anseio pelo evento, mas no nível íntimo em que cada um se encontra diante dele.
Consciência e preparação
Porém, será que estamos realmente com nossas consciências libertas da materialidade, emocionalidade e em plena manifestação do amor total fraterno e incondicional?
Essa é a pergunta que precisa ocupar o centro da reflexão. Porque falar de transição, sem falar honestamente do próprio estado consciencial, é permanecer na superfície do tema. Muitos desejam o ápice do evento, mas poucos parecem dispostos a medir, com sinceridade, o quanto ainda estão presos à materialidade, à emocionalidade e às reações que negam o amor total fraterno e incondicional. Não basta desejar uma realidade mais elevada; é preciso verificar se já há, em nós, base vibracional para ela.
Sabendo-se da realidade de que é e como é uma transição planetária, será que realmente se deve desejar o momento ápice deste evento estando ainda despreparados?
Desejar o ápice de algo tão profundo sem preparo é, no mínimo, uma contradição. Se sabemos que há exigência de nível vibracional e consciencial, então o mais coerente não é alimentar euforia pelo acontecimento, mas sim rever o quanto ainda falta para nos alinharmos às condições necessárias. A precipitação, nesse caso, não ajuda. O entusiasmo vazio também não. O que ajuda é a lucidez. E lucidez implica reconhecer faltantes, limites e distorções em nós mesmos.
Façamos nossa auto-análise e nos dediquemos a analisar nossos faltantes para as condições ideais de nível consciencial com o objetivo de termos condições de sermos levados à esferas de maior evolução, pois lembrem-se, uma vez estando fora dos níveis vibracionais necessários, seremos encaminhados a projetos de nosso nível atual para baixo para que as provas nos sejam postas para mais observação e aprendizado, até que aprendamos as lições deste nível.
Nesse ponto, a auto-análise deixa de ser mero conselho e passa a ser necessidade real. Analisar nossos faltantes não é nos condenar, mas compreender com seriedade o que ainda não se harmonizou em nós. Se ainda reagimos de forma desarmônica, se ainda estamos excessivamente vinculados ao mundano, se ainda não manifestamos o amor fraterno e incondicional como verdade viva, então ainda há lições em curso. E as lições não podem ser puladas apenas porque desejamos outro estágio. Há um aprendizado correspondente a cada nível, e as provas seguem sendo postas para mais observação e aprendizado, até que aprendamos as lições deste nível.
Isso deveria trazer menos fantasia e mais responsabilidade. Porque não se trata de premiar expectativas, mas de responder ao que verdadeiramente somos em vibração, consciência, ações e sentimentos. O que define o encaminhamento não é o discurso que adotamos, nem o conteúdo que consumimos, mas a realidade íntima que sustentamos.
Mudanças internas
Sendo assim, creio que seja são e coerente sugerir a todos que se preocupem muito mais com as verdadeiras mudanças internas conscienciais, mais elevadas e menos mundanas, com o verdadeiro amor fraterno e incondicional, assim como todas ações e reações executadas diariamente das formas mais harmônicas possíveis, gerando a condição esperada para saltarmos à um novo nível de aprendizado e experiência de nossa Alma.
Quando falo em verdadeiras mudanças internas conscienciais, mais elevadas e menos mundanas, refiro-me justamente ao deslocamento do foco. Em vez de viver à espera de um grande acontecimento, que cada um observe a qualidade do que pensa, sente, faz e devolve ao mundo nas pequenas experiências diárias. As ações e reações executadas diariamente revelam muito mais sobre nosso nível real do que qualquer declaração de crença. É no cotidiano que se vê se há harmonia, se há fraternidade, se há amor incondicional ou se ainda há condicionamentos, interesses e impulsos distantes disso.
O verdadeiro amor fraterno e incondicional não pode ser apenas ideia bonita ou linguagem espiritualizada. Ele precisa aparecer na forma como reagimos, na forma como conduzimos nossas relações e na forma como lidamos com as circunstâncias que nos testam. Se buscamos condições de saltarmos à um novo nível de aprendizado e experiência de nossa Alma, então esse salto não será construído por ansiedade, mas por coerência interior repetida diariamente.
Só cuidemos que nossa ascensão seja a consequência de nossos atos e sentimentos e que não que seja o objetivo de cada uma de nossas ações, sob o argumento de fazer algo para ganhar algo, onde certamente deturparia qualquer manifestação do amor, deixando de ser amor incondicional ascencional e passando a ser um amor condicionado a ascensão!
Aqui está um ponto decisivo. Há uma diferença profunda entre viver corretamente por amor e viver corretamente por interesse. Se a ascensão se torna o objetivo de cada ação, corremos o risco de contaminar a pureza do movimento interior. Fazer algo para ganhar algo deturpa qualquer manifestação do amor. E, uma vez deturpado, já não é mais amor incondicional ascencional. Passa a ser um amor condicionado a ascensão. Ou seja, deixa de ser expressão autêntica da consciência e se torna cálculo espiritualizado.
Por isso, o cuidado precisa ser constante. Não se trata de abandonar o propósito de evolução, mas de compreender que a ascensão deve ser consequência de nossos atos e sentimentos. Consequência, e não moeda de troca. Resultado, e não barganha. Se o amor é verdadeiro, ele não age para conquistar vantagem. Ele se manifesta porque já encontrou, em algum grau, seu lugar na consciência.
Pensemos nisso e Sejamos Luz!
Shietnar | Carlos de Oliveira
Missionários de Shan
Fonte de referência: Despertar — Wikipédia
Perguntas Frequentes
O que significa transição planetária?
É a ideia de que a humanidade e o planeta passariam por uma mudança profunda, não só física, mas também de consciência. Em muitos debates, isso aparece ligado à necessidade de evolução pessoal, coletiva e espiritual.
Por que tantas pessoas falam sobre o fim dos tempos?
Porque esse tema costuma despertar medo, curiosidade e esperança ao mesmo tempo. Em redes sociais e vídeos, ele ganha força quando as pessoas buscam respostas para crises, mudanças e incertezas do presente.
Esperar por essa mudança é uma atitude saudável?
Depende de como isso é encarado. É positivo refletir sobre o futuro e se preparar melhor, mas não é saudável viver preso ao medo ou à expectativa de uma solução mágica.
O artigo defende que devemos desejar essa transição?
Não exatamente; a proposta é refletir sobre a diferença entre desejar uma transformação consciente e simplesmente ansiar por um fim. A ideia principal é incentivar preparo, equilíbrio e responsabilidade no presente.