Entendendo o Carma

Categoria: Despertar

Por Carlos de Oliveira (Shietnar)

Entendendo o Carma

Carma (do sânscrito कर्म, transl. karma. Em páli, kamma. Ambos os termos significam, literalmente, "ação".) é um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta, jainista, sique, teosóf...

O que é carma

Uma cena espiritual serena mostrando uma pessoa meditando cercada por símbolos sutis de diferentes tradições religiosas, representando o carma como ação.
Uma cena espiritual serena mostrando uma pessoa meditando cercada por símbolos sutis de diferentes tradições religiosas, representando o carma como ação.

Carma (do sânscrito कर्म, transl. karma. Em páli, kamma. Ambos os termos significam, literalmente, "ação".) é um termo de uso religioso dentro das doutrinas budista, hinduísta, jainista, sique, teosófica, espirita, entre outros.

Em cada uma dessas doutrinas, o termo tem um sentido próprio.

Carma na Espiritualidade Universal

Uma pessoa meditativa em um ambiente luminoso, com fios sutis de energia dourada e violeta representando as ações e seus efeitos invisíveis ligados ao carma.
Uma pessoa meditativa em um ambiente luminoso, com fios sutis de energia dourada e violeta representando as ações e seus efeitos invisíveis ligados ao carma.

Carma é um termo originário do sânscrito e que está relacionado com a ação, como mencionado nos termos do Wikipedia acima.

Para Espiritualidade o carma é a força gerada pelas ações da pessoa e os resultados invisíveis destas ações que acabam por determinar o destino da pessoa em sua encarnação seguinte.

Quando eu digo que o carma está relacionado com a ação, não estou me referindo apenas ao gesto exterior, visível, concreto. Estou chamando atenção para a consequência real daquilo que emitimos na vida e para o fato de que nada se perde no processo da experiência. A ação gera força, e essa força continua existindo para além do instante em que o ato foi praticado. É justamente por isso que os resultados invisíveis destas ações acompanham o ser e participam da determinação de seu destino.

Por conseguinte, nós somos o que somos como resultado do que fazemos ou, em outras palavras, de nossa história pregressa.

Essa afirmação precisa ser recebida com profundidade. Nossa história pregressa não é apenas uma coleção de acontecimentos que ficaram para trás. Ela é a base do que pensamos, sentimos, escolhemos e até do modo como reagimos diante da vida atual. Muitas vezes a pessoa olha para si mesma e não compreende por que possui certa facilidade, certa inclinação, certa maturidade ou, ao contrário, por que encontra tanta dificuldade para lidar com determinados temas. Dentro da compreensão cármica, isso deixa de ser acaso e passa a ser expressão de continuidade.

Ação e reação

Uma pessoa em um cenário cósmico sereno com um fio luminoso mostrando a ligação entre uma ação e sua reação ao longo do tempo e do espaço.
Uma pessoa em um cenário cósmico sereno com um fio luminoso mostrando a ligação entre uma ação e sua reação ao longo do tempo e do espaço.

A Verdadeira Ação e Reação, independente de tempo e espaço.

Essa é uma das chaves mais importantes para compreender o carma. A lógica humana costuma querer resultados imediatos, lineares e visíveis. No entanto, a lei cármica não depende do nosso senso limitado de tempo e espaço para operar. O que foi gerado como força continua vinculado ao ser, mesmo que o efeito não se manifeste no mesmo momento, no mesmo lugar ou na mesma existência. A ação e a reação, nesse sentido, obedecem a uma ordem mais profunda da vida.

Carma não é castigo

Desafortunadamente o carma ainda é visto por muitas pessoas como algo negativo, um castigo, algo que se deve pagar por não se cumprir de maneira positiva a "lição de casa" imposta pela vida.

Essa leitura empobrece demais o entendimento espiritual. Quando a pessoa reduz o carma à ideia de punição, ela passa a olhar a própria jornada com medo, culpa e peso. E isso a impede de perceber o verdadeiro valor do processo, que é o aprendizado decorrente da experiência. O carma não precisa ser interpretado como sentença. Ele pode e deve ser compreendido como consequência, como continuidade e como oportunidade de consciência.

Essa visão de carma ainda carrega a noção de pecado que a Igreja programou e impôs a nós todos, carregada de nossos medos e desesperanças.

Enquanto estivermos aprisionados a essa noção de pecado, teremos dificuldade para enxergar o carma em sua natureza real. Passaremos a nos julgar apenas por critérios de merecimento ou condenação, quando a questão central é muito mais ampla. O que fica de uma vida para outra não é um registro para premiar ou punir comportamentos diante de regras externas, mas sim a marca efetiva daquilo que vivemos, assimilamos, fortalecemos ou bloqueamos em nós mesmos.

Ampliando a visão

É preciso começar a ampliar um pouco mais nossa visão de vida e refletir sobre algumas questões importantes e relevantes para nossa jornada.

Ampliar essa visão significa observar a existência para além de um único recorte. Significa perceber que a atual encarnação faz parte de um processo e que a vida não começa nem termina apenas no que a personalidade atual consegue recordar. Quando aceitamos essa ampliação, começamos também a nos responsabilizar de forma mais madura pelo que sentimos, pelo que construímos e pelo que ainda precisamos superar.

A caixa preta

Primeiro devemos esclarecer que tudo o que descobrimos e desenvolvemos em uma vida ficam conosco como uma "caixa preta" para a próxima vida.

A imagem da "caixa preta" é muito precisa, porque indica um registro que permanece, ainda que nem sempre esteja acessível à mente comum. Tudo aquilo que descobrimos e desenvolvemos não desaparece. Fica conosco. Aquilo que foi verdadeiramente aprendido, aquilo que foi incorporado em termos de consciência, aquilo que amadureceu em nós, segue adiante. Isso ajuda a compreender por que algumas pessoas parecem trazer desde cedo uma percepção mais apurada, uma sensibilidade específica ou um entendimento interno difícil de explicar apenas pela experiência atual.

Nosso aprendizado e todos outros aspectos de nossa experiência permanecem como uma tatuagem em nossos corpos mais sutis.

Essa tatuagem não é superficial. Ela é uma marca de profundidade. O aprendizado permanece, as experiências permanecem, e também permanecem os conteúdos que ainda não foram integrados de modo harmonioso. Tudo aquilo que foi vivido imprime algo em nossos corpos mais sutis. Por isso, a vida atual frequentemente nos apresenta cenários em que aquilo que está marcado em nós encontra condições de se manifestar, seja como recurso interior, seja como desafio a ser compreendido.

Perceba que isso não tem nada a ver com alguma recompensa que possamos merecer ou não por termos nos comportado de acordo com as regras de Deus.

Essa diferenciação é essencial. O carma não deve ser lido como sistema de prêmio ou punição baseado em obediência moral externa. O ponto não é agradar uma autoridade para receber benefícios. O ponto é entender que toda ação gera uma resultante e que essa resultante se incorpora ao nosso processo evolutivo. O que permanece conosco é efeito da experiência e não medalha por bom comportamento.

Sabedoria acumulada

Ao estarmos mais conscientes na vida atual é como se trouxéssemos uma sabedoria inata, interna, que certamente foi construída no decorrer de todas as vidas antecedentes.

Muitas vezes essa sabedoria se expressa como um saber silencioso, uma compreensão que não veio de estudo formal, mas que habita a pessoa de maneira natural. Ela pode se manifestar como discernimento, presença, sensibilidade e capacidade de perceber a vida com mais profundidade. Isso não surge do nada. Foi construída no decorrer de todas as vidas antecedentes. É o resultado de um acúmulo real de experiência transformada em consciência.

Esse é o que chamamos de carma positivo!

Carma positivo, portanto, não é sorte. Também não é privilégio concedido arbitrariamente. É fruto do que foi construído. É o patrimônio interno que o ser traz consigo como expressão de seu próprio trabalho de consciência. Tudo aquilo que favorece a expansão, o entendimento e a maturidade pode ser reconhecido dentro dessa perspectiva.

Defesas do ego

No entanto, devemos também lembrar que em vidas passadas construímos defesas e barreiras contra nós mesmos e nossa evolução, contra o amor e a criatividade, contra a expansão de nossas consciências.

Essa é a outra face da mesma lei. Se podemos trazer sabedoria, também podemos trazer limitações estruturadas ao longo da experiência. Defesas e barreiras não surgem sem causa. Elas foram construídas e, por isso, passam a influenciar a forma como nos colocamos diante da vida. Quando alguém resiste ao amor, bloqueia sua criatividade ou teme expandir a própria consciência, é possível que esteja operando a partir de padrões muito antigos, já incorporados como proteção do ego.

Essas defesas do ego se tornam parte de um padrão de comportamento que somente pode ser rompido através da própria consciência.

Isso significa que não basta querer mudar superficialmente. Enquanto a consciência não iluminar o padrão, ele tende a se repetir. O ego defende aquilo que já conhece, mesmo quando isso produz limitação e sofrimento. Por isso o rompimento depende da própria consciência. É ela que permite identificar o mecanismo, compreender sua origem no processo do ser e iniciar uma mudança real.

Uma pessoa pode, por exemplo, carregar algumas fobias e depressão nesta vida como resultado de ações e traumas advindos de uma vida passada.

Esse exemplo mostra com clareza que nem tudo o que vivemos na atualidade se explica apenas pelos eventos da vida presente. Há conteúdos que chegam conosco. Eles não surgem como fantasia, mas como expressão de uma continuidade psíquica e espiritual. Fobias e depressão, dentro dessa ótica, podem ser sinais de marcas profundas que ainda pedem compreensão, consciência e superação.

Despertar da consciência

A partir do despertar da consciência começamos a entender essa magnífica lei karmica.

Esse entendimento não é meramente intelectual. Ele transforma a forma como lemos nossa própria experiência. Quando há despertar da consciência, deixamos de nos ver apenas como vítimas de circunstâncias desconexas e passamos a reconhecer sentido nos processos. Isso não torna a caminhada mais simples, mas torna tudo mais claro e mais verdadeiro.

Começamos a trabalhar em uníssono com estas leis e iniciamos uma nova jornada carregada de amor pela oportunidade de experiênciar a fisicalidade e todas suas nuances.

Trabalhar em uníssono com estas leis é parar de resistir ao aprendizado que a própria vida oferece. É aceitar que a fisicalidade, com todas suas nuances, não é um erro, mas uma oportunidade. Quando a consciência desperta, a experiência encarnada passa a ser vista com mais respeito, porque entendemos que é aqui, na concretude da vida, que muito do que carregamos pode ser reconhecido, elaborado e transformado.

A lei cármica

De uma coisa devemos ter certeza: a lei cármica é implacável.

Ela é implacável porque não falha em sua natureza de ação e consequência. Não se deixa dobrar por negação, fuga ou justificativa. O que foi gerado acompanha o ser até que seja compreendido em seu devido aprendizado. Essa implacabilidade não deve ser lida como crueldade, mas como precisão.

Se não entendermos que nossa estada aqui envolve principalmente crescimento, aprendizado e superação de de oportunidades, estaremos ligados ao ciclo reencarnatório até aprendermos as lições proporcionadas pelo universo.

Enquanto não houver entendimento real, a repetição continuará servindo ao processo de aprendizado. O ciclo reencarnatório, dentro dessa perspectiva, não é uma ameaça, mas a continuidade de uma escola que permanece aberta até que as lições sejam assimiladas. Crescimento, aprendizado e superação de oportunidades fazem parte do núcleo da experiência humana e espiritual.

Laços familiares

Por este motivo é que devemos estar atentos aos nossos processos de vida, principalmente àqueles que envolvem as pessoas mais próximas como a família em que nascemos e a família que criamos e façamos nossos melhores esforços para entender e superar qualquer conflito.

É justamente nos vínculos mais próximos que muitos conteúdos cármicos se apresentam com mais força. Na família em que nascemos e na família que criamos, os padrões, as dores, os afetos, as resistências e as possibilidades de entendimento costumam emergir de maneira intensa. Por isso, os conflitos nesses campos não devem ser vistos apenas como incômodos do cotidiano. Eles podem representar oportunidades diretas de consciência, entendimento e superação.

Fazer nossos melhores esforços para entender e superar qualquer conflito é uma postura de responsabilidade diante da própria jornada. Não se trata de negar a dor ou simplificar as dificuldades, mas de encará-las como parte de um processo maior de aprendizado. Quando olhamos para nossos processos com mais consciência, começamos também a interromper repetições e a abrir espaço para novos modos de viver.

Sejamos Luz!
Shietnar | Carlos de Oliveira

Missionários de Shan

Fonte de referência: Despertar — Wikipédia

Perguntas Frequentes

O que significa carma?

Carma significa literalmente “ação” e se refere à ideia de que nossas atitudes têm consequências. No contexto espiritual, ele é entendido como uma relação entre o que fazemos, pensamos e o que vivemos depois.

Carma é uma punição?

Não necessariamente. Em muitas tradições, o carma não é visto como castigo, mas como resultado natural das ações. Ele serve mais como uma forma de aprendizado e equilíbrio ao longo da vida.

O carma vem só das ações?

Não. Em várias abordagens, também contam a intenção, as palavras e até a forma como reagimos às situações. Por isso, não é apenas o que fazemos, mas também como fazemos.

É possível mudar o carma?

Sim, muitas tradições acreditam que novas atitudes podem transformar o curso do carma. Praticar boas ações, cultivar consciência e agir com intenção são formas de construir resultados melhores.